"Há quem musique poemas, há quem escreva inspirado em imagens. Dani Hasse desenha música. Quando se põe a trabalhar, é a trilha sonora do instante que dá o tom às produções da designer. O ritual para criar é o mesmo desde a infância, quando fazia desenhos para a mãe, e da adolescência, quando produzia cartazes para as bandas dos amigos.
Dani desenha psicodelias, flores miúdas, meninas fofinhas, garotas sombrias, arabescos modernos. A versatilidade é uma característica do trabalho: para ir da doçura dos rabiscos à força das cores sólidas, basta trocar de música.
É possível até que você esteja usando uma peça de roupa ilustrada pelos traços delicados de Dani. As criações dela já estamparam coleções das marcas Hering, Colcci, Sommer e Coca-Cola. A estranheza de ver alguém vestindo uma imagem que saiu da sua mente existiu, mas ela diz já estar acostumada. Hoje, a designer se dedica mais ao ramo de ilustração, acaba de ser convidada por uma gravadora para cuidar da parte visual de um trabalho e já criou até convites de casamento. Com os cartazes que faz para shows, recebe reconhecimento profissional fazendo o que foi passatempo na adolescência.
A moça é carioca de nascimento. Veio para o Vale do Itajaí aos dois anos e morou com a família em Indaial, Timbó e Blumenau. O coração diz ser daqui. Mudou-se em 2007 para São Paulo, onde conheceu o “namorido” e encontrou melhores oportunidades de trabalho, uma vida cultural que não tem fim e um tempo que corre mais rápido. A saudade da tranquilidade e do colo de mãe, que ficaram em Blumenau, ela tenta matar a cada dois meses.
Dani é designer por intuição. A formação acadêmica em Letras a tornou professora, em uma luta diária contra a timidez. O acaso a tirou da sala de aula e a levou à criação de estampas na Colcci – literalmente de um dia para o outro. Até uma amiga ver seus desenhos e incentivá-la a viver deles, Dani não imaginava que pudesse trabalhar com o que, até então, era só prazer.
Quando começou a fazer estampas, há cerca de quatro anos, precisou profissionalizar o hobby. Dani só desenhava em papel, às vezes até com caneta Bic. Hoje, usa meios analógicos e digitais para as criações. A matéria-prima para cada trabalho vem de todo lugar. Pode nascer de uma visita a uma papelaria, de um ladrilho, de uma caminhada na rua, da gata paulistana que Dani adotou. Ou depois de um play, claro."
Jornal de Santa Catarina - Mariana Furlan
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